Search

10 anos da 1º YouTuber canábica do Brasil

196 mil inscritos no canal do YouTube, 86 mil seguidores no Instagram e 3,6 mil no Twitch - os números envolta de Natália Noffke de Almeida surpreendem e mostram a importância do trabalho da hempreendedora. Mais conhecida como Nah Brisa, ela é a primeira YouTuber canábica mulher do Brasil e comemora 10 anos de carreira no Brisa Day, um evento especial feito para celebrar a data em 31 de julho. Pioneira, Nah Brisa abriu o caminho a outras influenciadoras canábicas numa época em que ter um canal no Youtube não era considerado sequer um empreendimento.

“Hoje, existem cursos na internet sobre como bombar seu instagram, como fazer seu canal. Eu não tive acesso a nada disso quando comecei. Fui aprendendo tudo na raça e errando muito”, afirma Natália para a reportagem da Xah com Mariaz.


De acordo com dados da Insider, as marcas devem investir US$ 15 bilhões (cerca de R$ 78 bilhões) no universo de influenciadores digitais em 2022 no mundo. O motivo para tamanho investimento é justificado pelo enorme poder que os produtores de conteúdo têm nas escolhas de compra do seu público. Uma pesquisa do Ibope apontou que 50% dos brasileiros com acesso à internet afirmam tomar decisões de compra com base na opinião de um influenciador. Todas essas informações comprovam o fato: uma marca precisa apostar em influenciadores se quiser vender no e-commerce. No meio canábico, o marketing de influência ganha ainda mais pontos. Uma enorme vantagem é a credibilidade e empatia dos influenciadores, que são capazes de mudar o pensamento negativo dos seguidores em relação à Cannabis com maior facilidade do que um canal de mídia tradicional, por exemplo.

Propagar os benefícios da planta é o maior propósito do conteúdo feito pela Nah Brisa, em linguagem acessível e direta. “Eu não quero falar com quem já sabe do que estou falando. Meu objetivo é levar informação para as pessoas que não sabem do potencial da Cannabis. É o povão que vai fazer a grande mudança, é necessário expandir as informações muito além do pequeno mercado canábico”. Nah Brisa

Os vídeos do canal da influenciadora e programas como “Café com Brisa” e “SextoNah” levam conhecimento sobre ativismo, redução de danos, cepas canábicas, ao mesmo tempo que temas como anti racismo, machismo e outras questões sociais são colocadas na roda. Ela já visitou o Uruguai junto com a Micasa 420, onde conheceu uma plantação de Cannabis e a Expocannabis Uruguay. Marchas da Maconha ela já fez coberturas na de São Paulo, Curitiba, João Pessoa, Porto Alegre e outras. Foi ao Expo Head Grow e Fórum Delta 9 em Natal. Essas e outras aventuras canábicas estão registradas no canal da Nah Brisa.


Antes de se tornar a Nah Brisa, a influenciadora foi dançarina e vivia em um universo totalmente diferente em Cascavel, interior do Paraná.

“A cidade era muito conservadora. O consumo de álcool era incentivado pelas pessoas desde muito cedo, um costume da região. Quando eu conheci a Cannabis, eu renasci, minha mente se expandiu e veio uma inquietação enorme. Eu me sentia obrigada a passar essas informações para o mundo, outras pessoas precisavam saber das informações que tinha acesso. Foi daí que comecei a botar as caras na internet”.


Durante uma viagem para a Itália, a produtora de conteúdo viu de perto como a Cannabis já era tratada com normalidade e voltou para o Brasil com a mente transformada. A cannabis virou tema no Twitter da Natália em 2010, incentivada pelos primeiros contatos com outros ativistas por meio do blog Hempadão.

Ela criou uma sala de bate-papo em vídeo, a ‘Roda 4e20” (foto acima), que reunia ativistas do mundo todo. Durante essas conversas surgiram as primeiras ideias para o vídeo da “Planta Dormideira”, o primeiro a viralizar no canal, com mais de 2 milhões de visualizações. Na sequência, ela atuou na organização da Marcha da Maconha de Curitiba e seguiu por três anos viajando por todo Brasil, por meio de caronas, para conhecer de pertinho as cenas canábicas de diversas cidades.

Em 2017, por influência do namorado, que ela conheceu na “Roda 4e20”, Natália resolveu se profissionalizar ao adotar um planejamento de postagens e comprar uma câmera. “Chegou em um ponto em que eu precisei transformar isso em trabalho ou eu teria que tirar todos os meus vídeos da internet e não tinha como. Quando eu fazia entrevista de emprego, as pessoas colocavam meu nome no Google e todo conteúdo canábico aparecia junto. A única saída era eu me profissionalizar ou eu carregaria um estigma. Se não fosse para trabalhar com isso, eu não saberia o que fazer da vida, só me vejo com a Cannabis!”. Ao ser questionada sobre “o que você faria diferente na sua história”, Nah Brisa deixa recados muito importante para as mulheres que desejam se tornar hempreendedoras de conteúdo canábico: “Planeje tudo ao máximo. Organize as postagens, faça um plano de produção de conteúdo antes de qualquer coisa".


"Estude muito. As mulheres precisam ter as respostas na ponta da língua. Nesse meio canábico machista, somos mais questionadas e desacreditadas mesmo com todo preparo e estudo".


“Valorize-se. Não deixe ninguém diminuir o seu trabalho por causa do estigma envolta da Cannabis”


“Seja profissional. Eu fui muito inocente. No começo, eu escrevia textos e produzia conteúdos para sites que já monetizavam, mas não pagavam pelo meu trabalho".


“Recebidos: só poste se você gostar e achar que vale a pena. Mas você não é obrigada a fazer publicidade que não foi paga”. Para finalizar, uma dica muito interessante para as mulheres que desejam se tornar hempreendedoras de conteúdo canábico.

O Sebrae abriu um curso gratuito para empreendedorismo de influenciadores digitais. Inscrições neste link.

46 views0 comments

Recent Posts

See All