Search

Como é o funcionamento do Sistema Endocanabinóide

Embora as culturas orientais utilizassem a Cannabis Sativa L. para tratar doenças há séculos, as culturas ocidentais apenas recentemente começaram a reconhecer o potencial terapêutico da planta. As primeiras propriedades terapêuticas observadas da Cannabis foram o poder anestésico e uso no tratamento do glaucoma (porque reduz a pressão intraocular), mas os seus mecanismos fisiológicos e moleculares eram desconhecidos.

O primeiro canabinóide endógeno descoberto foi o araquidoniletanolamina, conhecido como anandamida, cuja palavra deriva do sânscrito "ananda", que significa “felicidade, prazer”. Sim, temos um sistema dentro do nosso corpo capaz de, literalmente, gerar felicidade. Ao ser comparada com o Δ9-THC, o famosa THC, a anandamida apresenta uma afinidade quatro a vinte vezes menor pelo receptor canabinóide CB1 que o Δ9-THC e é mais rapidamente metabolizada por hidrólise pelas amidases . Ou seja, o THC tem muito mais possibilidades de agir no receptor CB1 do que a anandamida.

Embora o uso do CBD seja considerado algo moderno, na verdade, tem uma história que remonta a 1940. Naquele ano, Roger Adams, um químico em Harvard, extraiu pela primeira vez o CBD da planta Cannabis Sativa. No entanto, naquela época ele não estava ciente de sua descoberta.

Em 1964, Gaoni e Mechoulam descreveram a estrutura do ∆9-THC, um fitocanabinóide, derivado da planta Cannabis sativa. Em 1988 "Howlett et al" descrevem o primeiro receptor canabinóide, dando-lhe, em 1992, o nome de receptor CB1. No ano seguinte, um outro receptor dos canabinóides, o receptor CB2, foi identificado, mas a sua distribuição foi atribuída principalmente aos tecidos sistema imunológico.

O sistema endocanabinóide (SEC) se estende por todo o corpo é um regulador essencial de diversos metabolismos; pode ser considerado o sistema responsável pela homeostase (equilíbrio). Não há praticamente nenhum processo fisiológico que não seja afetado por ele em algum grau. Pode-se dizer que os endocanabinóides e seus receptores se encontram espalhados por todo o corpo, em membranas celulares do cérebro, órgãos, tecidos conjuntivos, glândulas e células do sistema imunológico. Por isso a Cannabis medicinal atua em diversas doenças. Traduzindo de forma simplificada: quando o funcionamento de certa parte do corpo está doente e desequilibrado, a Cannabis estimula o sistema endocanabinóide a buscar o equilíbrio , desta forma, suaviza os sintomas negativos. Apesar da importância e destaque do SEC como um mecanismo regulador da bioquímica e fisiologia do corpo, o conhecimento dele permanece bastante limitado entre os médicos devido a escassez de material e educação adequada nas escolas médicas.

O sistema endocanabinóide compreende os receptores, os agonistas endógenos e o aparato bioquímico responsável por sintetizar essas substâncias e realizar suas ações. Os receptores foram nomeados pela União Internacional de Farmacologia Básica e Clínica de acordo com sua ordem de descoberta como receptores, como receptores CB1 e CB2. Ambos são receptores acoplados à proteína G. O sistema endocanabinóide é responsável por regular e equilibrar todas as atividades do sistema imunológico, como apetite, sensação de dor, humor e memória, e na recepção dos efeitos farmacológicos da Cannabis.


Os endocanabinóides são produzidos pelo organismo humano através do consumo dos 9 ácidos graxos essenciais que o nosso organismo não produz, entre eles os ômegas 3,6, e 9.

A ativação desses receptores, desencadeia o mecanismo de inibição da adenilato-ciclase com consequente fechamento dos canais de cálcio, abertura dos canais de potássio e estimulação de proteínas quinases. O CB1 é um dos mais abundantes receptores no cérebro, expresso predominantemente nos neurônios pré-sinápticos e é responsável pela maioria nos efeitos neuro comportamentais dos canabinoides, mas também se encontra presente no sistema nervoso periférico. De fundamental importância para o conhecimento médico é entender que os agonistas endógenos e os receptores CB1 se expressam em vários outros órgãos da periferia (tabela 1). Já os receptores CB2 estão presentes nas células do sistema imunológico. Os principais agonistas endógenos de CB1 e CB2 são os derivados do ácido araquidônico. Tanto os receptores canabinóides CB1 como CB2 são receptores do tipo proteínas G. Devane et al., descrevem em 1992 o primeiro ligante endógeno de canabinóide, a araquidonoetanolamina ou anandamida, o que foi seguido pela descoberta da 2-araquidonilglicerol (2-AG) descrito por dois laboratórios independentes no mesmo ano.




  1. Medeiam a transferência das informações dos terminais pós aos pré- sinápticos de forma retrógrada, isto é, são sintetizados sob demanda e não são armazenados em vesículas;

  2. Síntese ocorre nos neurônios pós-sinápticos após o influxo de cálcio;

  3. Em seguida, acontece a ativação de fosfolipases (fosfolipase D no caso da anadamida e diacilgliceol lipase no caso da 2-AG) – o papel das fosfolipases é de converter os fosfolipídeos em endocanabinóides;

  4. Os endocanabinóides, por sua vez, atingem imediatamente a fenda sináptica por meio da difusão e se acoplam em receptores CB1 pré- sinápticos.

As principais enzimas responsáveis pela hidrólise da anandamida e da 2-AG são a amida hidrolase de ácidos graxos (FAAH) e a lipase monoacilglicerol (MGL), respectivamente. Nota-se e se torna fato intrigante a capacidade de dois endocanabinóides serem degradados tanto na forma pré sináptica (2-AG) como pós sináptica (anandamida). Tanto FAAH como a MGL emergiram como importantes alvos farmacológicos com potencial terapêutico promissor.

O estudo do SIstema Endocanabinóide é essencial e promissor no tratamento de diversas patologias e também na saúde e qualidade de vida de diversos pacientes. Conheça a Dra. Patrícia Savoi: Médica formada pela Universidade São Francisco (USF) em 2009. Fez Pós Graduação em Nutrologia pela ABRAN, Especialização em Terapia Nutricional Hospitalar e Clínica e pós Graduação em Nutrologia pelo GANEP-Hosp. Beneficiência Portuguesa. Título em Nutrologia pela ABRAN - Associação Brasileira de Nutrologia em 2013 e Certificação em Ayurveda Lifestyle pelo Instituto do Deepak Chopra na California - EUA (2016)

Dra. Patrícia tem uma visão Integrativa do ser humano e cuida de seus pacientes promovendo bem-estar do corpo, da mente e da alma. Por isso, também realizou cursos no Mind and Body Medicina do Instituto Benson de Harvard e estuda Cannabis medicinal desde 2015, atuando como consultora e prescritora -sendo apaixonada por aprender a cuidar.


57 views0 comments

Recent Posts

See All